O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, transferiu o cargo para a sua sucessora Helena Chagas, na manhã do domingo (2), no auditório do bloco A da Esplanada dos Ministérios, às 10h00.

“Trabalhamos juntos em vários locais. Helena Chagas é talentossíssima e a família Chagas oferece ao País sua segunda geração de profissionais cuidando da antessala do poder, o que não é pouco”, disse Franklin, em referência ao pai da ministra, o comentarista político Carlos Chagas.

A ministra se disse honrada de substituir Franklin Martins e de assumir a Secom num momento rico da história do Brasil. “Somos uma das maiores democracias do planeta. Há oito anos elegemos um metalúrgico e, agora, uma mulher ex-prisioneira da ditadura”, disse a ministra. Para ela, vivemos em um país com ampla liberdade de imprensa e conta que conheceu a censura e por isso tem um compromisso com a livre expressão.

Ela lembrou de, quando criança, ler os poemas de Camões publicados no jornal em que seu pai escrevia, colocados ali para substituir as reportagens proibidas. “Comunicação democrática passará por defender liberdade de imprensa. Abrir mão dela será impensável”, defendeu.

Segundo a ministra, se as relações entre o governo e a imprensa não forem tensas é porque algo está errado. No entanto, ambos podem encontrar um terreno em comum para atuar, que é o campo do interesse público. Ela disse que sua experiência como repórter em Brasília pode ajudar a estabelecer um diálogo honesto e transparente. “Estive do outro lado do balcão, sei o que é o cotidiano da espera da notícia na calçada, o sanduiche frio e o refrigerante quente”.

O desafio atual, para a ministra, é atender às necessidades do momento histórico, pois o crescimento da classe média e a retirada de milhões da miséria não representa apenas distribuição de renda e sim, uma emancipação. As pessoas deixam de ter um foco centrado em garantir a próxima refeição e passam a ter outros interesses, como o de saber e de participar da democracia. “No contexto das grandes mudanças como essa, cada vez mais brasileiros necessitam de informações de qualidade”, avaliou.

A ministra defendeu o trabalho de distribuição da publicidade oficial e o esforço de regionalização e de adoção de critérios técnicos de escolha de mídia. “Um excelente trabalho já foi feito. Franklin Martins não é um gigante só na altura”.

Legado

Franklin Martins conta ter deixado como legado uma relação pacificada com o Tribunal de Contas da União (TCU) nas contratações de serviços de comunicação, um avanço institucional que culminou com a aprovação no Congresso da lei sobre publicidade oficial. “Agora todos os ministérios da Esplanada têm critérios para fazer suas licitações”, disse.

Para ele, outro ponto importante foi a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a constituição da TV Pública. “Isso será mais valorizado no futuro, quando o preconceito e o embate político do momento forem esquecidos”, avaliou.

Martins disse ter vivido um período rico, tanto do ponto de vista da relação com a imprensa como com o mercado publicitário. Ele diz que é importante a decisão da presidenta Dilma Rousseff de manter a Secom tal qual como ela foi construída, sem a divisão da imprensa e da publicidade. “Conseguimos atuar de forma harmoniosa”, disse.

Estiveram presentes na cerimônia de transmissão os ministros da Defesa, Nelson Jobim; das Relações Institucionais, Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira; da Pesca, Ideli Salvatti; e da Saúde, Alexandre Padilha.

Yole Mendonça será a secretária-executiva da Secom, no lugar de Ottoni Fernandes Júnior. Antes, ela era secretária de Comunicação Integrada da Secom.

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