Flávia Villela

Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O projeto Mão na Massa, que depois de cinco anos de existência já formou cerca de 370 operárias, vai ultrapassar os limites da cidade do Rio e qualificar mulheres de outros estados do Brasil no segmento da construção civil.

“Muitos municípios de fora do Rio demonstraram interesse em adotar nossa metodologia e tecnologia e por causa dessa forte demanda apresentamos aos nossos patrocinadores um projeto para oito localidades do Brasil que já foi pré-aprovado. A ideia é expandir o projeto a partir do semestre que vem”, informou a idealizadora do Mão na Massa, a engenheira Deise Gravina. “Inicialmente, vamos para Bahia, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais, além de outros municípios aqui do Rio”.

Graças ao projeto, patrocinado pela Petrobras, Eletrobras e pela Fundação Interamericana (IAF), pintoras, carpinteiras, armadoras e eletricistas estão sendo inseridas desde 2008 em um setor ainda dominado por homens.

Segundo Deise, o preconceito já foi quebrado e as mulheres provaram seu talento e competência na área. “O desafio agora é provar para as empresas que os custos com uma nova logística, como vestiário e banheiro femininos, são supridos pela economia e a qualidade que a operária traz”, explicou a engenheira. “Durante três meses, uma empresa acompanhou o trabalho de um grupo de mulheres e de homens. A conclusão foi que, embora as mulheres não sejam tão fortes, são mais econômicas e cuidadosas, sobretudo, no acabamento. O retorno da mão de obra das mulheres é muito bom”, destacou.

Para participar do curso é necessário ter entre 18 e 45 anos e ter completado, no mínimo, o 5º ano do ensino fundamental. As aulas têm duração de seis meses (460 horas), de segunda a sexta-feira, na parte da manhã. As alunas recebem apostila, material escolar, equipamento de proteção individual, vale-transporte e lanche. A equipe conta com cerca de 30 profissionais que ensinam disciplinas diversas “desde matemática à nutrição, cidadania à educação física, segurança do trabalho, dicas sobre postura na hora de carregar peso na obra, aulas práticas”, descreveu Deise.

A etapa prática dura dois meses e é realizada em um canteiro de obras do município. Nesse período, é oferecida uma bolsa-auxílio de R$ 200 mensais às alunas. Ao final do curso, a recém-formadas recebem um kit de ferramentas para facilitar o acesso ao emprego. Todas as alunas estão cadastradas em um banco de empregos do projeto e quando uma obra ou um contrato de trabalho é encerrado, as operárias que estiverem desempregadas são remanejadas para outras empresas clientes.

A carpinteira Simone Frazão da Silva, 39 anos, terminou o curso em janeiro de 2011, foi contratada ainda no período de estágio e hoje trabalha nas obras do Estádio do Maracanã. Antes de se tornar carpinteira, Simone ganhava R$ 680 em uma fábrica de cosméticos. Hoje, ganha mais de R$ 1 mil, sem contar as horas extras. “Graças ao curso estou ganhando o suficiente para pagar um curso de técnico em edificação. Vou continuar na área da construção civil e ganhar ainda melhor [mais de R$ 3 mil] e vou poder comprar uma casinha para os meus pais.”

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontam que, entre 2007 e 2009, o número de mulheres contratadas nas empresas da construção cresceu 44,5%. Em 2009, o setor da construção registrou um aumento de 32,65% nas contratações, passando para mais de 2,221 milhões de trabalhadores. Desse total, cerca de 172,734 mil eram mulheres (7,78%).

 

 

Edição: Lílian Beraldo


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